Ao se fazer um programa, além do funcionamento correto e desempenho, mais fatores contribuem para que esse seja um bom software. A interface não é lugar para arrombos criativos ou para um amontoado de opções de menus, ícones, etc. A documentação precisa estar presente. Abaixo detalho 7 pontos críticos.
1 – Conheça o seu usuário
O usuário do seu programa normalmente não é você. Parece óbvio, não? Mas não é. Desenvolvedores possuem hábitos diferentes de um usuário “médio”. Por exemplo, estou digitando essa postagem em um editor de texto comum, que apenas mostra em destaque a marcação HTML. Não gosto de editores WYSIWYG (What You See, Is What You Get – O que você vê, é o que você terá), ou seja, editores visuais. Muitos cientistas odeiam o Word, usam só Latex. Se você está criando um software para desenvolvedores de Perl, um sistema de buscas usando regex fará sucesso, mas será inútil para biólogos. Ouça seu usuário, mas não faça aquilo o que ele quer e sim o que ele precisa.
2 – Mantenha o simples
Quantas vezes você não ficou perdido, procurando nas inúmeras opções apresentadas aquilo que você estava procurando? Parece difícil reduzir as opções, garanto que é mesmo. Não encha seu programa de recursos apenas porque você acha que possam ser útil. Interfaces complicadas são mais complicadas de usar e podem dificultar a vida do usuário, pois ele não consegue encontrar o que realmente precisa. A simplicidade é difícil de atingir, significa fazer escolhas. O seu software não precisa se dispor a resolver todos os problemas do usuário mas deve se concentrar em resolver um bem.
3 – Seja Consistente
Há dois tipos de consistências:
- Interna -A consistência interna significa que as partes do programa funcionam de forma esperada. Por exemplo, se o seu programa tem diversos tipos de cadastros como fornecedores, produtos,
clientes, etc; esses cadastros devem funcionar de forma semelhante. - Externa – diz respeito a padrões. Por exemplo, os menus de aplicações diferentes têm usualmente algumas dessas opções: Arquivo, Editar e Ajuda. Eu lhe pergunto qual a opção você acessará para:
- Copiar um trecho de um texto?
- Saber a versão do programa?
- Salvar o documento que você está editando com outro nome?
Foi fácil, não? Nem falei qual era o programa.
4 – Forneça boas mensagens de erros
As mensagens de erro devem ser positivas, indicando ao usuário o caminho a tomar. Por exemplo, em uma busca no banco de dados pelo nome Felipe Santos, a pessoa cometeu um erros de digitação e escreve Felipe Snatos. Uma mensagem do tipo “Felipe Snatos não foi encontrado na tabela TP_CLIENTES” é inadequada. Seria melhor algo assim “Não consegui encontrar o cliente Felipe Snatos, você quis dizer Felipe Santos?”.
5 – Não puna o usuário pelos erros cometidos
Os dados e o trabalho do usuário são sagrados, faça tudo para que eles não sejam perdidos. Um sistema de desfazer as operações é essencial para a maioria dos programas e confirme todas as operações que são destrutivas, como sair do programa sem salvar o documento.
6 – Preste atenção nas cores e fontes
A interface gráfica precisa ser facilmente lida, as cores precisam de um bom contraste entre si e as fontes precisam ser escolhidas com critério. Nada de usar fontes rebuscadas, escolha fonte simples como Times New Roman, Arial e Verdana.
7 – Sistema de Ajuda e Documentação
O seu software precisa de um sistema de ajuda. Inclua vários tipos de ajuda contextual, para guiar o usuário durante o uso do sistema. No sistema global, não liste apenas os diversos recursos existentes, mas também explique como executar tarefas específicas. A documentação pode ter vários níveis de detalhamento. Ninguém gosta de ler manuais extensos, seja breve e claro. Inclua um guia rápido de como usar as principais funções do seu programa.




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agosto 8th, 2009 at 18:42
Gostei do post!
Gostaria de fazer um adendo, caso me permita!
Seria interessante, após o software feito e instalado no cliente, que das duas uma. Ou o usuário dê feedback sobre como está a usabilidade do sistema ou o desenvolvedor observe como o usuário usa o sistema.
pois tenho certeza que isso ajudará muito na usabilidade d sistema, ajudando o trabalho do usuário, que é o objetivo da construção do sistema
abraço
agosto 8th, 2009 at 20:53
Sim Paulo, você tem razão. Testes de usuabilidade são importantes. Li um livro sobre usuabilidade na Internet e recomendava testes não apenas no produto final, mas sim durante o projeto, pois sabe-se o reparo de um erro no projeto torna-se mais caro a medida que o projeto avança,